Em ti havia tanta coisa escondida e calada...

Ah, Maris! Dizias que eu era muito rebelde...
E olhe, a tua sensatez me feria a pele.
Eu te amava com toda a estrutura de tua alva estampa,
mas morria de raiva da prudência que te seguia.
Aceitavas as regras impostas por Dalila como um sacerdócio.
Teu coração era puro de travessuras.
Acompanhava-te, é verdade, mas meu olhar parava em outras órbitas.
Muitas vezes esquecia da menina comportada e me entregava por inteira às aventuras.
Sovava e espalmava a vida, feito uma massa de pão que crescia em minhas mãos.
Dizias que eu era duas, e que trocava de cor como uma salamandra.
Tinhas razão, pois ainda hoje sou assim:
alegria e tristeza, decepção e arrebatamento
andam muito próximas em minha vida.
Tu eras tão mansa...
havia serenidade em cada fio de tuas veias. Maris!

Texto: Ila