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21 maio 2016

Skagen

Lá... onde os dois mares se encontram, num filete de terra, bem na ponta do continente, há uma pequenina aldeia de pescadores. Skagen é o nome dela. As casas, em sua maioria são amarelas e na ponta dos telhados há um enfeite branco, como se fosse uma renda, ou um creme... que prende as telhas vermelhas. As ruas são sinuosas e estreitas. Há atalhos minúsculos que ladeiam as moradias e conduzem a jardins e becos idílicos, quase poéticos. Eu quis voltar para rever as casas amarelas e os dois mares, filhos do Atlântico. Gosto de ver quando se abraçam, quando se cumprimentam, quando suas águas se encontram e se misturam. Um deles é extremamente sereno, o outro faz ondas com espumas muito brancas. Durante três dias caminhei na beira dos mares e por entre as casas amarelas da aldeia. Ao deixar Skagen, fiquei um pouco triste. Há algo de mágico neste lugar.

Skagen se localiza no extremo norte da Dinamarca.
















O encontro dos dois mares



20 maio 2016

Ålborg - Dinamarca continente


A caminho do norte,
visitamos a cidade portuária de Ålborg. 
Chegamos à tardinha e, sem demora,
fomos perambular em seu centro antigo. 
Aqui, Jørn Utzon, o arquiteto dinamarquês que projetou 
a ópera de Sydney, passou sua infância. 
Na beira do cais há uma construção moderna projetada 
por ele - Utzon Center - que aliás foi seu último projeto. 
Utzon não quis que a casa fosse um museu, mas um lugar,
onde os estudantes de arquitetura pudessem se encontrar 
para discutir seus futuros projetos.

( as fotos foram feitas ao anoitecer )








Utzon-Center


23 julho 2015

Dragør

Dragør é uma antiga aldeia de pescadores, 
a poucos quilômetros de Copenhague.
No verão suas ruelas se transforma num jardim de malvas.

















07 junho 2015

Frederiksborg Slot e seu jardim barroco. Em Hillerød

Se a gente cresce com os golpes duros da vida, 
também podemos crescer com os toques suaves na alma.

Cora Coralina




28 maio 2015

Na ilha de Fyn

Foi numa manhã dourada de outono – no dia 6 de setembro de 1819 –, quando uma carruagem postal parou em frente aos portões de Copenhague. Um menino de 14 anos desceu do veículo e debruçou seu olhar por sobre a capital de seu país, acreditando encontrar ali o caminho para uma vida melhor. Este menino pobre, filho de sapateiro e de mãe lavadeira, se chamava Hans Christian Andersen, e acabara de deixar sua cidade natal, a pequena Odense, com o objetivo de ficar famoso como ator e como bailarino. Com sua pequena trouxa atravessou ruas e avenidas e foi até o portão oeste, em direção ao Teatro Real. Em sua bagagem trazia as cicatrizes de uma infância infeliz, a leitura de muitos livros e a suave lembrança de sua ilha – a ilha de Fyn, o jardim da Dinamarca. 

Ninguém poderia imaginar que este adolescente, rejeitado pela mãe, quase abandonado, era um grande poeta. Seria um homem da literatura, a dos contos, que brotariam de sua alma iluminada pelo universo da fantasia, em dezenas deles. Ali estava, ainda jovem, um talentoso contador de histórias e o mundo ouviria falar de suas obras, onde abordaria a linguagem dos cisnes, descreveria o perfume das flores, o borbulhar das águas e o brilho das estrelas. Falaria da bailarina, da menina pobre, de princesas, da rainha da neve, do soldadinho de chumbo, do imperador e da pequena sereia. Nos faria emocionar com seres indefesos e poderosos, personagens tristonhos e desamparados. Escreveria sobre a pobreza e sobre a humildade e nos delinearia a fragilidade da vida através da malícia e da esperteza de seus personagens. Tornar-se-ia um escritor clássico de grandeza incomparável e teria a capacidade infinita da criatividade, nos fazendo sonhar com lendas marcantes através de temas universais. Comporia o conto de sua vida e relataria suas viagens. Além disso, recortaria figurinhas com a agilidade de um mestre, concedendo-lhes linguagem poética e humana. De patinho feio, passaria a ser príncipe – o príncipe dos contos: o Pai da Literatura Infantil.