É impossível não sentir os ritmos das estações que, por aqui, se caracterizam de forma vigorosa e peculiar. O tempo urge, chegou agosto e já lá vai pela metade. Mês de hibiscos, de dálias e margaridas de várias cores. Hoje comprei um crisântemo, em castanho avermelhado, para enfeitar a mesa no jardim. Na floricultura haviam também vistosos buquês de gladíolos, iguaizinhos com as que mamãe cultivava. Já as malvas, estão com fartas sementes e as castanhas, em poucos dias, estarão saindo de sua espinhosa cúpula. Os dias estão mais curtos, há outros ventos e cheiros – verão tardio – como falamos, docemente. O mundo parece que está a sossegar. É como se tudo estivesse sendo embalado por um movimento adágio – mais lento que o andante, melancólico e sustenido como na Sonata ao Luar. Na verdade, com ou sem sinfonias, com ou sem Beethoven, o verão está por um fio. E o outono me parece... já está na soleira da porta, a esperar por um convite para entrar. A exuberância das cores me inspira e eu me deixo arrastar por uma força que ainda não consegui definir. Sinto-me minúscula diante de tanta poder – que me molda, que embriaga, que me vira do avesso. Literalmente.













