
No moinho dos cisnes as casas são velhas e contam coisas de outros tempos. As fachadas tem a cor natural da pedra, sem maquiagens. Os telhados são todos escuros, cobertos por telhas de ardósia. Chaminés se erguem por entre as telhas e observam incansáveis o cenário. Há muitas vidraças, mas poucas cortinas. Espaços transparentes, cheios de luz. As ruas são pequenas linhas que se entrecruzam. Elas separam as fileiras, mas encontram-se sempre em algum lugar. No moinho dos cisnes as ruas são ladeadas de jardins. E que pequenos que são... Minúsculos espaços que se transformam num milagre verdejante nas estações quentes. Arbustos floridos encortinam as alvenarias, como se estendessem sobre elas mantas coloridas. Plantas trepadeiras escalam a parede na avidez de um encontro sonhado. Inquietas, abraçam os muros com mil braços estendidos. As clematis requebram as divisórias e decoram em sublime floração. Os cisnes nadam na enseada. É lá... onde ela mora, na velha casa - no moinho dos cisnes.