Os dias são muito curtos. Há tanto para fazer nestas horas alegres. Ora é o trabalho de minha casa e a convivência familiar, ora é o sonho que toma boa parte de meu tempo. Herdei de minha avó paterna a paixão pelas coisas pequenas. Aprendi com ela a amar as flores, as estrela, a noite escura e a lua. Nossa vida telúrica, lá no interior do Rio Grande do Sul, era um grande palco, onde os personagens reais e conhecidos se transformavam em contos ilustrados na voz doce de vovó Elisabeth. Tudo era graça naqueles entardeceres mornos de verão, a vida era como um balão colorido que saía a voar pelos vales em busca de novidades. Era um outro tempo, mas eu o trouxe em alguma pequena repartição das malas de minhas viagens. E hoje tenho essas lembranças aqui, com cuidado guardadas. De vez em quando - assim como agora que estou contando para você - eu as desembrulho. Pouco a pouco abro o papel, fino como seda, e então toco-as e elas voltam a brilhar, como se fossem pérolas de vidro.
No entanto, o dias são muito curtos para contar todas as histórias... Elas me ocupam demais e eu preciso continuar a escrevê-las. E agora esta crônica tomou este rumo... e eu já não posso modificá-la nesta vastidão de sonhos... Que tenho!






