25 maio 2014

Minhas manhãs começam cedo. 
Já fui no Emmerys comprar pão e, milagrosamente, 
 consegui renunciar aos muffins de chocolate. 
De bicicleta segui a pequena rua, ladeada de jardins. 
Os pássaros ensaiam os cantos, agora em todos os arpejos. 
E o sol está de visita. Veio para ficar. Hospedou-se. 
Trouxe um afago caloroso, tenso, 
como quem quer suprir suas falhas, sua culpa
 essa imensa falta, os constantes atrasos. 
Seus raios tingem o mundo de luz, raios feito braços compridos enrolados, 
como os ramos da chuva azul que se enroscam por cima da cerca 
e se agarram nas paredes de tijolos vermelhos. 
O sol agora mora no hemisfério norte. 
Quando coadjuvante no inverno, agora é protagonista. 
Atua no cenário, metade herói, metade vilão. 
Debruça preguiçoso nos telhados de ardósia. 
Transforma a noite em quase dia. 
Ilumina e brinca. Esquece dos segundos, dos minutos, 
das horas... e deixa tudo alvo, claro – 
como se fossem noites brancas. 
Minhas manhãs são madrugadas... insones, como o sol.




Um comentário:

Sissym Mascarenhas disse...



Querida Ila,

as minhas manhas tambem começam cedo demais.... e o sol se aproxima de mansinho.

bjs